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Life in Pink

Life in Pink

Dizem - me que a ansiedade é pior, que tenho que me manter calma, serena. Eu tento, mas estou deitada e tenho contracções de 10 em 10 minutos, por vezes menos, e nada consigo fazer para aumentar este tempo. Não há magnésio que me valha, nada. No meio disto, uma princesa a começar a escola nova, e com quem não brinco há semanas. Nada mais faço do que dias tranças de manhã e companhia a ver TV. Tentamos leitura, mas ela saltava para cima de mim, sem querer, era mais forte do que ela. São três anos e muita energia, como se quer.

As noites são o pior. Horas acordada, a tremer o momento que há - de chegar, esperemos daqui a umas semanas. Horas as voltas, com dores de costas terríveis, sem poder tomar nada. Horas em que sinto este bebé e isso me consola, por o saber bem. As noites são difíceis, mas os dias não melhoram muito. Passam lentos, enquanto observo o meu homem a tratar da princesa, do meu pequeno almoço, do almoço, da roupa, da loiça, a ir buscar a pequena e ir com ela ao parque, e pelo meio tenta trabalhar um pouco. Ao final do dia, banho, jantar, deitar princesa, trabalhar mais um pouco e acabou o dia. Uma vida de trabalho para ele, clausura para mim, que ainda assim manteremos com gosto enquanto pequeno baby se mantiver dentro da minha barriga. Tudo por ele. Para que cresça um pouco mais antes de nascer.

A ansiedade será a minha companheira até ao dia do nascimento do bebé, por menos que tente pensar nisso. Tento não ser dominada por ela, respiro fundo e afasto pensamentos menos bons. Mas contar contracções não ajuda. Os finais de dia são os piores. Contracções descontrolam sempre. E agora a noite. Boa noite.