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Life in Pink

Life in Pink

A chegada ao terceiro trimestre ainda se vislumbrou calminha. Conseguia mexer-me razoavelmente, ainda ia ao ginásio quase todos os dias, por casa ainda ajudava bastante na rotina, fazia as comprinhas no supermercado.. até que tudo começou a desmoronar (e no meio disto tudo, acho sempre que pode ser pior, pelo que não me queixo, aceito e cá se vai vivendo um dia de cada vez, melhor ou pior):

 

1. hemorróidas... no need to say anything else, right?

2. contracções galopantes (no início eram desconfortáveis, agora, além do desconforto, há umas que dão uma dorzinha aguda durante vários minutos, tudo em bom para me preparar para a hora H)

3. repouso absoluto (e o que é assustador neste termo? pois claro, o absoluto.. começo a ler, fico com o braço dormente; estar ao pc, dormente e não dá jeito nenhum para escrever; só deitada como se quer, dores horríveis nas laterais, pois não me posso deitar de barriguinha para cima; e quando os locais onde existiram músculos começa a latejar? é mesmo isso, tudo em bom)

4. não poder terminar o curso de preparação para o parto. Snif, nem a meio ia!! Como vou eu saber o tipo de respiração a usar em cada fase do parto? Vai ser sempre respiração pânico, como nos filmes :p

5. Comichão!! Uma comichão horrível no corpo todo! Estará tudo a esticar de uma vez só?

 

E é tudo por hoje. Não me interpretem mal, está a ser uma experiência maravilhosa, mas já tivemos dias melhores :)

Semana 36, dia 4. Mais um dia aqui por casinha. Princesinha ontem não mexeu muito, hoje já deu mais o ar da sua graça ao acertar-me nas costelas e deixar-me desconfortável, mas tudo por uma boa causa :)

Receios actuais desta mummy to be:

1. Momento em que contracções passem a decorrer de 5 em 5 minutos. Pânico. Acho que vou mesmo desesperar à séria;

2. Entrada na sala de dilatação ou sala de partos. O horror, a tragédia. Não sei como vou aguentar tanta emoção e DOR dentro de mim;

3. O nascimento da baby - não consigo sequer imaginar como será. Conforta-me saber que namoradinho estará sempre comigo (parte-me o coração saber que assistirá a uma fita descomunal quando as dores forem fortes, mas não me parece que eu consiga moderar a fita);

4. O pós-parto - não, não vou falar dos receios com o banho, com a amamentação, e tudo e tudo. Existem e são grandes (principalmente o receio de não conseguir amamentar, de ter 10 mil problemas nas mamas, tipo mastites e afins). O que me tem igualmente consumido é este corpinho. Depois de tantas semanas deitada, e tendo em conta que os primeiros tempos não serão fáceis, como poderei voltar a recuperar o meu corpo? O músculo que existia foi-se, pernocas estão flácidas como nunca, pobrezinhas. Os braços cá se vão aguentando. Não vai ser fácil, parece-me.

Ok. Eu sei que abuso. Devo ter engordado uns 10 kgs até agora. Mas paradíssima em casa, sem mover uma pernoca para nada, impossível não me sentir a insuflar. A pele a esticar - curiosamente não a da barriga, que parece permanecer na mesma, mas a das pernas (as coxas, mais precisamente). Já coleciono uma vasta extensão de estrias nessa zona, mas não sei se não estará a aumentar, a comichão que sinto é chatinha e parece ditar nesse sentido.

As refeições têm sido saudáveis, saladinhas, iogurtes, frutinha, pão.. já na hora terrífica - pós jantar - a ansiedade empurra-me para o que houver.. mesmo assim, tentamos controlar os danos, com pão, cereais, bolachas integrais. Oh well, calminha e tudo se resolverá. Não vamos ficar de cama para a eternidade. E a princesa há-de estar a crescer um bocadinho.

(e os desejos que qualquer publicidade suscita em mim?!?! ele é hamburgueres com batatas fritas (???), cornetos de nata, gelados haagen dazs.. para quem vê Teoria do Big Bang - e a vontade de comer comida chinesa, massas, comida comida comida)

Contracções voltaram a piorar. Concomitantemente, estado de espírito caiu a pique. Sem vontade de nada, e ainda são só 12h. Companhia chega a casa por volta das 20h, altura em que veremos o jogo. Eu, que nem ligo nada a isso, agora aprecio esse pequeno momento. Baby blues pré parto? Estou para ver depois, vai ser uma animação- Andava tão feliz a conseguir controlar a lagriminha fácil, e parece-me que ela vai vir em força! Baby ML a dar chutinhos, deve ser qualquer coisa do género, ganha juízo nessa cabecinha que eu estou a crescer e vou ser a princesa mais linda e bem comportadinha de sempre :)

Estou melhor hoje. Vá-se lá perceber porquê, mas para já a disposição está bem animada do que ontem. As contracções estão um bocadinho mais espaçadas, talvez seja isso. Ter todo e qualquer movimento controlado pelas contracções é algo que condiciona bastante o dia-a-dia, mesmo quando o mesmo é passado na cama/sofá! Levantar para ir WC, só depois de contracção, porque caso contrário, provoco uma contracção, e já basta as que veem naturalmente. Levantar para beber água? É esperar pela contracção. Apetece uma peça de fruta? Aguarda só uns minutinhos, que daqui a nada já te podes levantar, logo depois da contracção. Uff, tem sido forte a nível emocional, diria mesmo, uma canseira! Apesar de constantemente esprimida, baby ML continua a mexer bem. Vamos ver se conseguimos chegar à semana 37 :)

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Duas situações a transmitir com esta imagem, que não é a melhor para o caso, mas a minha inaptidão para estas artes faz-me recorrer a imagens já disponibilizadas. Azia - um terror! Mas expliquemos esta azia - passando o dia todo deitada, é necessário ter em atenção o que se escolhe para comer. Se com as refeições principais tudo vai correndo bem, ao lanche o pãozinho chama por mim. Asneira enorme, fico sempre para morrer durante as horas seguintes. Mas se comer só frutinha e iogurte fico com fome. Dilemaaaa. Pontapés nas costelas - já não sei bem quando começaram, mas foi há poucos dias. Uma animação para quem está sempre deitado e tem que se esticar para diminuir os efeitos dos mesmos. Os pezinhos a darem o ar da sua graça na barriga são cada vez maiores ☺️

Mais um dia ainda em versão 2 em 1.

O cansaço desta vida acamada acumula-se, as dores de corpo tornam-se cada vez mais intoleráveis, o estado de espírito vai oscilando. Hoje não ando aos pulos de alegria, não me apetece falar com ninguém (baby ML deve querer ouvir pessoas, farta-se de mexer e chutar, mas a mummy to be está sem energia nenhuma, mais logo o papá dá-lhe mais atenção), não consigo fazer nada. Estar ao computador é um enorme sacrifício, pois dá dores de costas, de ombros, e sabe-se lá mais de quê. A TV é deprimente. A literatura por ler não abunda nesta casa.

E ainda assim, prefiro este estado do que um nascimento prematuro da baby. Só mais uns dias. Nota-se muito que o pânico do parto tomou conta de mim? Não tenho sequer noção das mudanças que irão acontecer na nossa vida, acho que só a experiência nos vai consciencializar da nossa nova realidade.

Yeyyy, chegamos à semana em que os babys deixam de ser considerados prematuros. Quantos mais dias iremos aguentar neste estado de repouso absoluto vs ansiedade pelo número exorbitante diário de contracções vs medo do parto? Tentamos manter-nos calmos por aqui, mas esta tríade explosiva vai-nos consumindo aos poucos. E as dores associadas à estar deitada todo o dia? O receio de ficar um pequeno cachalote foi largamente ultrapassado pelo medo do parto. Mas não só. Tudo vai mudar. Deixaremos de ser dois e eu sinto uma necessidade enorme de namorar, pois é coisa que não tem sido fácil, com todas as limitações que me são impostas. Vamos trazer um pequeno ser cá para casa. Medinho. Muito. De toda a novidade que se nos apresentará, das hormonas altamente descontroladas, do meu corpo que me será estranho. Curiosamente, não tenho medo de falhar enquanto mãe, nada sei para já sobre isso, mas tenho o melhor companheiro de sempre a meu lado, que trilhara comigo este caminho e potenciará os melhores cuidados possíveis à baby ML. E quando isso não for suficiente? Pedimos ajuda às avós, a quem melhor nos possa aconselhar.

Mamã veio até à capital, ver filha e neta versão 2em1. Gerir sentimentos à distância é muito complicado, principalmente quando se quer apoiar quem se ama. Continuo a sentir-me uma inútil, que nada consegue fazer. Como pode um corpo quebrar deste modo perante uma situação que é supostamente natural e portanto deveríamos estar para ela preparadas? Estou a divagar, miminhos para a grávida, namoradinho sempre preocupado e eu com peso na consciência por dar trabalho a toda a gente. Prefiro mil vezes ser eu a mimar do que o contrario. Acho que já vi filmes e séries todas que passam na TV pelo menos umas 10 vezes.

Consulta no Hospital. Resumo da mesma, citando o médico "quando parir, pariu". Baby pequenina, mas com tudo no sítio, é o que interessa.

A meio de uma contracção, quando o espaçamento entre elas ronda os 10 minutos, confesso que me parece que nunca estarei preparada para a hora H. A capa de super mulher vai cair num ápice :)