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Life in Pink

Life in Pink

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Realizado por Joe Wright, é candidato a melhor filme e melhor actor principal (Gary Oldman), nos Óscares 2018. Baseado em factos verídicos, a hora mais negra retrata a eleição de Churchill para primeiro ministro britânico numa altura crítica - a II Guerra Mundial. Os meandros das decisões políticas são aqui esmiuçados, o poder que uma só pessoa detém e as implicações das suas decisões. As vidas em jogo. A possível redefinição de poderes a nível europeu. Um filme que põe a nu a realidade da política, as intrigas, os jogos de poder. Um filme sobre o carácter de um homem que liderou uma operação de resgate das suas tropas (Dunkirk - há também um filme sobre esta operação) quando o seu "war cabinet" só queria negociar a paz com Hitler e se recusava a acreditar na possibilidade de salvação das tropas por outro meio que não a negociação. Um bom filme. Não para se ver num sábado à noite, quando se tem uma princesa de 18 meses que acorda cedo. Confesso que tive que fechar os olhos na primeira parte, porque aquele período entre as 22h e as 23h é altamente crítico. O filme era bom, mas o sono era demasiado. Felizmente lá despertei e a segunda parte correu melhor. No entanto, não me aventurarei numa ida ao cinema, à sessão da noite, tão cedo. Não é proveitoso. Só penso na minha caminha.

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 A introdução de novos alimentos nos bebés faz-se, normalmente, de forma faseada, de modo a se poderem despistar possíveis alergias. Digo normalmente, porque com o ressurgimento do Baby Led Weaning, esta introdução faseada não é um assunto assim tão linear. Posto isto, em 18 meses e meio nunca tínhamos dado kiwi à princesa. Ontem à noite foi A noite. E foi a noite em que a cara da pipoca começou a ficar vermelha. Com manchas. Os lábios com dois altinhos. A mãe em pânico, o pai em modo calma, respira, tudo controlado. Aerius. Aerius outra vez quando a pediatra respondeu à sms de pânico. Tudo isto aconteceu antes da princesa ir para a cama. Tivemos que a manter acordada mais um pouco, só para controlar uma possível evolução do estado. Super bem disposta, com muito sono, com manchas. Fomos deitá-la e continuámos de vigia. O coração desta mãe a acalmar, o do pai na mesma, relaxado :p Não daremos kiwi nos próximos tempos à pipoca. Acho que até terei problemas em comê-lo. Só de pensar que a princesa poderia ter começado com problemas respiratórios que escalariam num ápice, até se me aperta novamente o coração.

A princesa ia ficar com a avózinha em casa durante três dias. A princesa acabou por ficar 8 dias em casa. Pontos altos - mimo, mimo e mais mimo; qualquer possível constipaçãozita que existisse e pudesse evoluir (estava com os pulmões bastante apanhados) desapareceu. Pontos baixos - não me lembro de nenhum. Hoje estava com algum receio quando a deixei na escolinha, mas ficou lindamente, foi logo para o colinho da auxiliar, mandou beijinhos e até logo à mãe e lá fomos, cada uma à sua vidinha.

A avó é muito paciente (diz que é uma particularidade de ser avó); a avó dá muito mimo; a avó não impõe limites (faz parte, ela percebe que com os papás as coisas são um pouco diferentes, esperamos nós); a avó faz papinha boa; a avó mima os pais; a avó ainda dá uma ajuda na casa.

Os avós, assim como toda a restante família, são fundamentais para o crescimento da princesa. É bom saber que ela é amada. Mesmo quando o tio, com alguma preguiça, não quer ir passar a tarde, porque sabe que vai ser constantemente requisitado. E o amoroso que é ver a pequenina a pedir-lhe a mão e a puxá-lo com ela, para brincarem? <3

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Assim como meio mundo, também nós andamos a devorar a série This Is Us. Os primeiros episódios são viciantes, pedem mesmo que se veja o episódio seguinte o mais brevemente possível. A pouco mais de meio da temporada 1, começo a achar que a voracidade inicial sucumbirá. Não que deixemos de a ver ou de querer seguir, mas neste momento não me sinto presa como senti naqueles primeiros episódios. É um pouco como a Anatomia de Grey, tem tantas temporadas, tantos episódios, se perdermos um ou dois, não há grande problema em conseguir seguir a série. Posto isto, vou continuar a seguir para poder opinar decentemente sobre a mesma. Para já, não quero que o Jack morra, apesar de saber que acontecerá. Temo o episódio em que isso acontecerá.

As rotinas, no dia-a-dia de um bebé, são fundamentais. Não sou eu que o digo, são os especialistas da área, eu só posso partilhar a minha experiência. Os bebés sentem-se seguros com as rotinas, é aquilo que eles conhecem, que lhes transmite conforto. Esta é a premissa de base. Mas depois há bebés e bebés. Há bebés "portáteis", que podemos levar para todo o lado e se portam lindamente, adormecem sem qualquer problema. São os chamados "bebés simpáticos". Depois há os bebés, amorosos que só eles, mas que não adormecem em qualquer lado e que sentem qualquer alteração à sua rotina. Bebés que não sorriem para estranhos, por mais macaquices que eles façam. Sim, a nossa princesa encaixa-se nesta segunda opção. E porque falo hoje eu disto? O pai de pequena princesa foi para fora em trabalho. E como foi a primeira noite sem o papá em casa? 3 cafés depois, posso dizer que foi chatinha. Acordou imenso de noite, choramingava, de tal forma que às cinco da manhã desisti de tentar deitar a pipoca, vai de arranjar leitinho e trazê-la comigo para a cama. Após o leitinho, adormeceu. E como é dormir com um bebé? A dada altura eu estava atravessada na cama, pois a princesa tomou conta do pedaço. Está super bem disposta, mas nota sempre as alterações. Sempre. Dão sempre direito a uma noite má. Normalmente é só uma. A ver como corre hoje a noite.

Entretanto diz, de forma atabalhoada (e amorosa, claro) avião. O pai foi no avião.

 

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Aviso desde já - vai rolar lamechice.

Em tudo na nossa vida existem fases, diz que faz parte. A paixão inicial dá lugar a rotinas, a um amor crescente, companheirismo, amizade. Quando temos filhos, a vida dá uma volta grande. As discussões, antes quase inexistentes, acontecem com alguma regularidade, principalmente durante a noite. São tão ridículas quanto - vai lá tu; não resmungues com a bebé por ela chorar, ela não tem culpa; vamos deitá-la ou ficamos aqui a ver se ela se deita?; és tão insensível, dá-lhe miminhos em vez de refilar!; não refiles por ela não comer, dá-lhe antes a sopa; não te chateies com isso, depois limpa-se. Depois disto, passa a porque raio está uma fralda aqui?, seguido de eh, tu também não lavaste a loiça como te compete! Basicamente, uma competição para ver quem foi o mais desorganizado/desarrumado. Confere, não somos o casal mais arrumado de sempre, com grande pena nossa. Estas discussões rapidamente perdem a sua dimensão, porque não faz sentido dar-mos-lhes mais valor do que aquele que elas merecem, que é - zerinho.

Discussões da treta são uma coisa, outra coisa é a expectativa que tu tens na pessoa que está ao teu lado. Por vezes dou por mim a pensar - em vez de o mudar para melhor, conseguiu ele deixar-me acomodar. Como passámos do príncipe encantado para isto? E é aqui que o raciocínio tem que parar. Tem que dar uma volta. E o que será que pensa ele de mim? Não contribuo em nada para que ele melhore profissionalmente, chateio-o quando deixa coisas fora do sítio, quando não é capaz de decidir o que vamos fazer. Não puxo por ele, não o ajudo a ser melhor. Eu queixo-me dele, do mesmo modo que ele se pode queixar de mim. E é quando realizas isto que tens que mudar a tua perspectiva, a tua atitude. Porque pedes tudo, se tu própria não és a melhor? E não, ingerires um pacote de bolachas não resolve a situação. E se forem dois ou três? Eh, também não. Poderíamos ajudar-nos mais um ao outro, por vezes não sabemos é como. Ninguém é perfeito. Há uns que se aproximam mais da perfeição do que outros. O ingrediente essencial existe - amor, o resto vai-se conquistando.

Resumindo - não desistam de uma pessoa só porque ela não é como vocês idealizam. A perfeição não existe. E se não é o melhor pai do mundo (só porque perde a paciência facilmente), aproxima-se bastante disso! E também é giro que se farta, diz que pequena princesa tem a quem sair ;) 

18 meses de princesa, feitos ontem! Estamos naquela fase em que "o tempo voa". A princesa está tão gira, sempre a fazer coisas novas, quando damos por ela, já mal cabe na roupa 18-24 e está a perder o ar bebé, está mesmo a ficar crescida.

Vamos lá fazer aqui um resuminho das aventuras deste mês.

Sesta - a sesta depende da hora em que acorda e dura normalmente duas horas. Nos dias de creche, e se tudo correr bem, no fim-de-semana, após o almoço faz a sestinha. Quando acorda demasiado cedo, ainda dorme de manhã e depois um pouco à tarde. 20h30 é e parece-me que continuará a ser a hora da caminha. O ritual para adormecer é diferente se for o papá (quase sempre) ou a mamã a deitar. Pequena princesa percebe e tem-se portado muito bem.

Comida - continua a comer lindamente, excepto legumes no prato principal. Aí reside o nosso desafio. Se estivermos a comer também, acaba por comer um pouco, só para imitar. A questão é - nem sempre nos apetece almoçar às 12h e não vale a pena tentar atrasar a hora de refeição e soneca quando a pipoca já está cansada. Assim sendo, lá tentamos que coma um pouco de legumes no prato principal. Mas raramente come :p A sopa come lindamente, o que nos descansa. De manhã continua a beber 330 ml de leite e depois ajuda o papá a comer Nestum (só uma colher ou duas). Caso acorde muito cedo, tem ainda direito a uma bolacha de arroz antes de sair de casa. Ao fim-de-semana, há panquecas para o pequeno almoço e para o lanche (os ingredientes variam de acordo com a disposição da mãe; as farinhas são sempre diferentes e claro, sem açúcar). Come lindamente arrozinhos de peixe/polvo, massa com frango, com carne picada, hamburgueres. Frutinha, também come tudo o que lhe damos (não damos ainda morangos nem kiwis). Iogurtes naturais continuam a ser um must.

Falar - cada vez fala mais, ainda palavras simples, nada de frases. Mãe, pai, avó, avô, titi, coco, xixi, banana, bebé, mão (por vezes significa que quer o creme para as mãos), pé, cai (corresponde a sai), mais (demasiado semelhante com pai, pode gerar alguma confusão para os progenitores), xau, bye bye, tentativas de palavras com tudo o que lhe pedimos para dizer - obrigada, perdão, etc. Tenta repetir tudo. 

Andar - anda lindamente, já são 18 meses. Dá saltinhos, mas levanta os pés um de cada vez. Corre. Anda em bicos de pés. Anda para trás. Também gosta de colo :)

Brincar - brinca com os bebés, com os livros, com os legos (ainda não consegue encaixar), gosta dos peluches de animais e de brinquedos musicais. Imita os sons dos animais todos, dorme com um porquinho. Adora o pato, que tem o privilégio de ir passear no triciclo com a princesa, sempre que vamos à rua. Não pode ver ninguém descalço, dá-nos logo os chinelos/sapatos. Se estamos na cama, põe os chinelos na cama junto a nós. Gosta de ver a máquina a lavar roupa (é um clássico dos bebés), não pode ver lixo no chão, quer logo aspirar. Normalmente começamos os fins-de-semana de aspirador na mão :)

Higiene - gosta de tomar banho, odeia lavar a cabeça. Não adora secar o cabelo, gosta de lavar as mãos, de lavar os dentes. Assoar o nariz não lhe apetece sempre, mas tem que ser, de modo a evitar otites.

Vestir - temos que ser muito criativos e pacientes nesta parte. A pipoca não adora vestir-se. Se tivermos tempo, lá fazemos a tarefa com calma, vê isto, vê aquilo, deixamo-la fugir de pernoca ao léu, até se decidir a por mais qualquer coisinha por cima. Quando o tempo aperta, temos que forçar e lá chora um bocadinho. Felizmente, dá quase sempre para inventar qualquer coisa para a distrair. A roupa 18/24 está no limite, já só compramos 2-3 anos.

Creche - gosta de ir para a escolinha, nunca fica a chorar, mas por vezes fica estática quando a deixo. O que significa isto? As pessoas falam com ela e ela ignora completamente, não se mexe, não diz nada. Assim que lhe dizemos - queres ir ver os meninos, brincar com a X, ela lá estica os bracinhos e vai à vidinha dela. Porta-se muito bem, pelo que me dizem. Come quase sempre bem, excepção feita para as refeições que têm ervilhas. Quando a vou buscar, ao final do dia, passeia sempre pelo berçario e diz adeus umas mil vezes a todos os que ainda lá estão, antes de sairmos.

Tem um sorriso maravilhoso, mas não é para todos. Continua a fingir que não estão a falar para ela com determinadas pessoas (muitas, na realidade). Ignora completamente qualquer tipo de interacção. Adora ir ao parque. Quando estamos em casa e ouve o elevador, começa a enumerar as pessoas que nos podem bater à porta. Está gira que se farta. Um amor de miúda, mimocas, sempre com abracinhos quando lhe pedimos e alguns sem pedir.

 

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Eu queria colocar aqui uma imagem fofinha, mas dêem-me um desconto - é o Garfield!

Sabem aqueles amigos lindos e fofinhos que nos percebem só de olhar para nós? Aqueles com A grande, que são família, por vezes mais que a própria família. Aqueles com quem gostamos de estar, nos bons e maus momentos. Pois é, tenho saudades deles. A vida afasta-nos, por questões meramente geográficas, o que é uma pena. Fazem falta os amigos. Fazem falta nos bons momentos e nos menos bons. Faz falta o ombro amigo, as palavras sábias que proferem, o carinho que nos transmitem, a energia que nos dão pela simples presença. Há telemóveis e redes sociais, mas não é a mesma coisa.

É o que sinto por ti, minha querida filha. Ando sem vontade de escrever, deixo os dias passarem por mim sem grande motivação, excepto quando estou contigo. És uma parte importantíssima de mim, do meu dia, mas chegará o tempo em que perceberás que falta mais qualquer coisa para uma pessoa se sentir completa. Adiante, isso para nada aqui é chamado. Estás a crescer rápido. Até passarem os primeiros meses, o tempo parecia não querer andar, eram só desafios novos e uma bebé altamente desafiante. A partir do momento em que começaste a descansar melhor, a chorar um pouco menos (ainda abusas um bocado nesta parte, não é preciso chorar tanto, por tudo e por nada!), o tempo começou a fluir. Agora, com quase um ano e meio, o tempo voa e tu cresces todos os dias imenso, e nós crescemos contigo. O nosso amor por ti cresce contigo. E é tão bonito :) O teu pai impõe-te mais limites do que eu, e ainda bem que assim é, caso contrário andavas sem perceber até onde poderias levar as tuas ondas de drama queen! Fazes muitas birrinhas. Choras, choras, choras, e assim que percebes que não vale a pena, o choro desaparece. Também choras muito sentido quando por vezes não te fazemos a vontade, mas passa rápido. Gostas de companhia, de dançar, dos teus peluches, dos teus livros. Gostas de bolacha (temos que trabalhar um bocadinho nisto, a ver se comes mais fruta em vez de bolacha), gostas de roubar uma colher do pequeno almoço do pai (sim, o pai come nestum todos os dias). Gostas que me sente no teu tapete com as pernas cruzadas, de modo a que te possas sentar por cima com uma quantidade aceitável de peluches, a cantar o atirei o pau ao gato. Gostas de brincar em casa. Gostas de sair de casa e andar no carrinho. Sorris com os teus 12 dentinhos maravilhosos, num sorriso que nos aquece o coração. Quando tens muito sono deitas-te no chão. Por vezes fazes birrinhas e nós sabemos instantaneamente que passou a hora de ir para a cama. Que não estávamos atentos (ou pura e simplesmente não tivemos tempo, entre chegar da creche, banho, jantar e cama). És a nossa bebé. A nossa menina. És um amor. És o nosso amor.

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Um murro no estômago. Enorme e profundo. É como melhor posso descrever este filme. Realizado por Kenneth Lonergan, tem no principal papel Casey Affleck, com um desempenho extraordinário.

O filme retrata a vida de Lee Chandler (Casey Aflleck). Nos primeiros minutos percebemos que algo de grave se deve ter passado na sua vida, pois a sua postura perante a vida é de total desconsolo, desinteresse e desprezo pelo outro. Potencia situações de confronto, quando poderia perfeitamente passar ao lado delas. Hostiliza quem o rodeia, sem necessidade. Um dia recebe um telefonema, o seu irmão, que sofria de um grave problema cardíaco, morre e deixa a guarda do seu filho de 16 anos a Lee. Lee não sabe o que fazer com esta decisão do irmão, contestando-a desde o início. Com o desenrolar do filme, percebemos a tragédia que assolou a vida de Lee, a culpa que carrega consigo e que define todo o seu comportamento. O vazio que sente. A dor profunda que o esvazia e que é inexplicável, inultrapassável. O espectador mais ingénuo (eu) quer acreditar que a guarda do seu sobrinho vai reacender o coração de Lee, vai devolver-lhe um pouco de vida, dentro das limitações claras que existem. Acaba por o fazer, mas de um modo tão ténue, que não nos deixa alegrar-nos, sentir que a personagem consegue seguir com a sua vida. Um filme profundo. Profundamente triste e angustiante, mas que deve ser visto. 8/10, na minha mais modesta opinião.    

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