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Life in Pink

Life in Pink

Última semana da princesa em casa comigo. Na próxima semana começamos a adaptação e eu continuo em modo negação. Chamem-me tonta, mas não faz sentido para mim uma criança ser afastada do seu lar com seis meses (eu sei que há crianças que entram na creche ainda mais cedo, continuo a não concordar). São tão bebés ainda. Tão pequeninos, tão dependentes. Porque têm eles que sair da redomazinha deles? Houvesse possibilidade e ficaria em casa com a princesa até ela ter pelo menos um ano. Ainda assim parece-me que iria achar demasiado cedo, mas menos mal. Por mais que a creche seja bem reputada, por mais que metade do ordenado voe para lá, nunca é a mesma coisa. Há uma auxiliar para quatro crianças. Em casa há um adulto inteirinho ao dispor da bebé. Ainda por cima, há bebés mais fáceis, mais calminhos. A princesa exige atenção, exige muito acompanhamento, muita atividade, porque cansa-se rápido das brincadeiras, porque quer miminho, atenção. A princesa deveria ficar com a mãe. O nosso sistema nacional no que à parentalidade concerne já evoluiu imenso, mas ainda falta tanto comparando com os países nórdicos da UE. Até o pessoal dos bairros sociais com os seus mil e um abonos e casas quase dadas podem ficar com os bebés em casa, protegidinhos.

Pronto, não me interessam os outros. Queria mais uns meses da minha bebé em casa. Podia não ser só comigo, podia ser com o papá ou a vovó, agora a creche.. Pffff, vidinha difícil!

 

Meio mundo defende que devemos ter tempo só a dois e que podemos deixar a princesa com avós e ir à nossa vidinha. Ora bem, dois problemas que aqui existem para mim. Adoro o namoradinho e gosto muito de estar com ele - não obstante, prefiro não me afastar muitas horas da princesa e tempo a três parece-me algo bem simpático. O segundo problema, sair à noite não dá! A partir das nove e pouco tenho um profundo sono e só quero voltar para casa  :) Ainda por cima a bebé não dorme particularmente mal de noite, mas o nosso sono não deve ser tão profundo, sempre alerta para perceber se a princesa está bem, se respira e essas coisas.

Parece-me que a solução terá de passar por programinhas diurnos, mas há sempre tanta coisa para fazer!! São as sopas, são as roupas, é a casa, são as compras de supermercado, é a gestão de visitas :) Uma estafa estes primeiros meses com um bebé :)

Neste momento tudo nos parece tão mágico que dificilmente acreditamos que vamos esquecer pequenas coisas que nos fazem sorrir, parece quase impossível assumir que daqui a uns tempos estarão numa das nossas gavetinhas da memória. Mas é um facto. Este percurso é feito de novidades constantes, e daqui a nada o que agora nos comove cairá no esquecimento.

Enquanto ainda estou em casa, controlo as sestas da princesa através da cãmara de vigilância. Assim que acorda, deixo-a estar um minutinho ou dois, e quando começa a rezingar ou ameaça chorar, gosto de chamar alto o nome dela, para me ouvir à distância, e ficar a ver o resultado. Abre um sorriso imenso, acorda super bem disposta e pronta para recomeçar o dia. Só de me ouvir fica feliz. Vou pelo caminho até ao quarto (uns míseros metros quadrados, mas ainda assim percorro-os sempre a chamar o nome dela) e quando lá chego sou recebida com o maior sorriso possível. Tirar a princesa da cama é sempre um prazer :)

Não foi propositado, nunca sequer debatemos a questão, tínhamos o bercinho e era lá que a princesa ia dormir. Quando viemos para casa da maternidade eu não me consguia mexer e assim fiquei pelo menos duas semanas. Não me sentava, só conseguia estar deitada, e mesmo assim com dores. Nem colocámos outra hipótese - a bebé ia dormir no meio de nós. Numa estrutura própria que concebemos para ela, de modo a estar protegida, mas no meio de nós. Quando acordasse para mamar (e no início acordam tantas vezes!!), o papá ajudava-me a puxar o bebé para junto de mim e assim dava de mamar. As semanas foram passando, os meses, e assim chegamos a meio ano e a princesa dorme no meio de nós. Se às vezes temos saudades de dormir coladinhos, em conchinha? Claro que sim. Se é um descanso ter a princesa junto a nós? Sem qualquer sombra de dúvida. Agora que temos a caminha, chegou a altura de pensar em mudá-la para o quartinho dela. Se o quero fazer? Sim, claro. Já? Não sei, tenho dúvidas. Gosto de acordar de noite e senti-la no meio de nós, protegida, certificar-me de que tudo está bem. Parece-me que quando for para a caminha dela passarei meia noite acordada a verificar se respira e está tudo em ordem.

Deitar-me e olhar para aquele rosto pequenino e fofinho a descansar, é algo que me aquece o coração.

Queremos criar bebés saudáveis e independentes, mas tem a independência que ser fomentada aos seis meses?

Pequena princesa foi à consulta dos seis meses. Pequena princesa continua num percentil elevadíssimo de peso e pequenininho de comprimento. 64cm e 8,090kg. Tudo nos parâmetros normais, a pediatra, querida que só ela, lá nos avisou que ida para a creche significaria muitos dias em casa dos papás, pois a bebé iria ficar muitos dias doente. A ver vamos o que nos aguarda nesse capítulo.

Em relação às papinhas, introduzimos iogurte e fruta ao lanche, para variar com a papa. Introduzimos também bolachinha com fruta ao lanche, sopa com carne a partir dos seis meses ao almoço e ao jantar.

Após a consulta seguimos para a vacina. Tomadas as vacinas do plano nacional de vacionação respeitantes aos seis meses, rumámos a casa e esperávamos um dia de muita sonolência da bebé, como nas vacinas anteriores. Só que não. Deu perda de apetite durante três dias, sonos todos trocadinhos e uma rezinguice apurada. Hoje, três dias depois, está melhorzinha, as sestas a ficarem mais orientadinhas e a disposição melhorzinha. 

6 meses de princesa. 6 meses de um amor que cresce a cada dia que passa. Está uma princesa linda, gordinha e fofinha. Continua igual a ela própria, rezinga q.b., a não sorrir quando está em sítios desconhecidos, a estranhar toda a gente, mesmo as avós e os tios. Continua a sorrir de cada vez que sai da cama, quando a vamos buscar. Mas não é um sorriso qualquer, é um sorriso imenso, que nos enche o coração. Um sorriso de quem pensa boaaaa, vamos lá começar tudo outra vez, gosto tanto disto (papinha, brincadeira e miminho). Nos últimos dias a princesa descobriu os pés. Tem sido uma animação. Ainda não se aguenta muito bem sentada, mas está a melhorar. Dentes ainda nada (menos mal, temo os chorinhos provocados pelas dores). 6 meses de princesa. Aguardamos com imensa expectativa os próximos. E os outros. E os seguintes. :)

nespresso.jpg

 Eu sei, completamente random e out of the blue, mas decidi falar sobre cafés. Viciadíssima em café me confesso, gosto dele sem açúcar, gosto de sentir o seu verdadeiro sabor. Que me lembre, desde que fui para a faculdade só fiquei meses sem beber café quando engravidei e durante a amamentação, primeiro porque não o suportava, segundo com receio dos seus efeitos na recém-nascida princesa.

Lá em casa habita uma Dolce Gusto, com imensas opções, não só em termos de café. Se senhor namorado e outros familiares e amigos ainda alinham nas restantes bebidas, eu mantenho-me fiel ao café. E que acho eu das variadas cápsulas existentes para esta máquina? Blargh. Tolero se ainda não tiver bebido nenhum café nesse dia. Mas é mesmo isso, tolero. O que acho eu do café Nespresso que bebo sempre que vou a casa de determinados familiares? Só não venero, porque se trata de café, caso contrário faria toda uma adoração a esta bebida. Não obstante já provei uns menos bons, mas há cafés maravilhosos desta marca.

E perguntam vocês - porque não compras tu uma Nespresso se gostas tanto dessa marca? E respondo eu - acho que me cansaria, como aconteceu com a Dolce Gusto :p tontices da minha pessoa.

Falta menos de um mês.

Não quero.

Estou em estado de negação.

Não fosse já isto deprimente, não vamos para a creche que queremos. Parece-me que o mês de Fevereiro vai ser o mês de depressão da minha pessoa.

Vai daí, passa metade do dia (do tempo acordado, vá) aos gritinhos. Poderia palrar como normalmente os bebés fazem, mas não, grita. E fica extenuada pobrezinha, mas parece que gosta de o fazer.

Continua com alguma dificuldade em adormecer e bastante rezinguinha, mas está um amor! Gira que se farta e os gritinhos são o máximo. Está também a atirar para o sensível! Ontem a meio de uma rezinguice desatei-me a rir, porque não havia motivo nenhum para rezingar. Eis senão que começa a formar-se aquele beicinho mais fofo que antecipa o choro. E pronto, é isto. Não nos podemos rir quando a princesa rezinga, porque senão passa de rezinguice para choro sentido.

Um amor de miúda, é o que é ;)

 

A licença do papá termina amanhã. Não passou muitos dias sozinho, mas os que passou foram suficientes para perceber que tomar conta da rezinguinha a tempo inteiro não é tarefa fácil. É aliás bastante cansativo. Eu chego a casa bem mais fresca do trabalho do que o encontro a ele. Além disso, sinto mesmo que os dias inteiros com ela, apesar de bem mais compensadores a nível emocional, são mais cansativos do que ir trabalhar. A minha princesinha não tem sido um bebe fácil. Felizmente neste momento não há cólicas nem dores. Há somente um modo de ser. Chamando as coisas pelos nomes, há resmunguice. Não gosto de falar em maneira de ser, porque a personalidade da princesa está ainda em fase embrionária, não considero que o modo de agir hoje define o que ela será amanhã. Quero acreditar que será uma menina meiga, querida e amorosa, e não uma menina egoísta e birrenta. Fará a sua quota parte de birras, faz parte, estamos cá para lidar com elas. Estamos cá para a ajudar a compreender este mundo, para a guiar no seu desenvolvimento. A minha bebé é muito rezinguinha. Que faço eu? Nos dias mais complicados, conto até conseguir reagir com uma voz normal, porque ela não tem culpa de estar a rezingar, ela não sabe o que está a fazer, e eu desconheço o que a incomoda. Amor, reagir sempre com muito amor a esta bebé. O papá vai voltar a trabalhar, e eu não quero. Mais um passo no retomar da vida "normal", mas a vida nunca mais será a mesma. O final do dia faz-se de banho, jantar, brincadeira e caminha. Este final do dia começará quando o papá ainda não estiver em casa. Somente agora me dou conta que o tempo é o bem mais escasso que possuímos. E tempo de qualidade em família é algo por que me hei-de sempre bater.