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Life in Pink

Life in Pink

Depois de muito choro de ambas as partes no primeiro dia, veio a noite para acalmar a mamã, para descansar e mentalizar que a creche é um facto, vai-lhe fazer bem, e estará em boas mãos. Às 8h30 estávamos a entrar na creche, a primeira menina a chegar do berçário. Levámos a casa atrás, foi o fantio que ela adora, foi o dou dou que não liga muito, mas que dorme sempre com ela, chucha, papa porque se corresse bem almoçava lá. Passou para o colo da auxiliar sem grande problema, foi para o centro de atividades e ali ficou, sem rezingar durante um bocadinho. Claro está que passados os 5 minutos, se tanto, de novidade, já rezingava para a passarem para nova atividade ou para simplesmente lhe darem atenção. Por volta das 9h lá fui à minha vidinha. Não me quis afastar muito para o caso de não correr bem, pois às 9h30 era horinha da sesta, e todos sabemos como a princes é com as sestas! Fui beber um cafezinho e por lá fiquei durante uns minutinhos. Chovia a cântaros, potes, cats and dogs, como preferirem, e eu a ponderar o que faria naquelas horas. Andei a ver umas lojecas, nada de especial, passei pelo continente, comprei mais uma farinha para as papas da bebé e lá voltei eu à creche. Tinha dormido pouco, mas lá tinha ficado sem grande choro (porque a rabugice é intrínseca, vai sempre haver). Iam dar-lhe a papinha e por isso nem me aproximei da sala. Uns cinco minutos passados vêm ter comigo a perguntar se quero ir buscar a bebé, ao que respondo, não, ela vai almoçar. Não mamã, ela já almoçou! Menos mal :p Baby ML a mostrar porque está tão anafadinha, 8 kilinhos de puro amor. Fomos até ao carro no meio de um temporal (uma senhora amorosa, muito obrigada senhora!! parou o carro e veio-nos dar uma ajuda, porque isto de pôr ovinho, tirar ovinho, fechar estrutura do carrinho, colocar na mala, lalala, uffs é uma canseira) e a princesa adormeceu no caminho até casa. 

Agora faz a sestinha da tarde, mas estava bem disposta. Um amor de princesa, é o que é!

Um horror. Para a mãe. Para a bebé. Tentei ter calma, respirar fundo, mas não deu. Chorei, chorei e chorei, percebi que a coisa estava descontrolada e chamei o papá, que lá pediu no emprego um bocadinho para vir apoiar a família. Normalmente o apoio à família é quando alguém se encontra doente, mas nesta situação também não estávamos muito bem. Deixámos a bebé na creche e quando voltámos ela chorava. Chorava de um modo como nunca tínhamos ouvido e foi difícil voltar a acalmá-la. Chegados a casa, leitinho e caminha. Agora descansa. E eu continuo de coração apertadíssimo, que amanhã repetimos tudo outra vez. Não gosto nada disto. Nada. Obrigada ao papá pelo apoio, sem ele era tudo muito mais difícil! A adaptação devia ser feita com o papá, a princesa ficaria decerto muito mais descansada. Um dia de cada vez. Para já, respirar.

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O tempo é um bem escasso, as prioridades alteraram-se imenso no último ano, pelo que as idas diárias ao ginásio transformaram-se numa ida semanal. Fã assumidissima de body combat e rpm, estou neste momento limitada a uma aula de pump por semana, seguida de uma de rpm. Não há, a uma hora razoável, uma aulinha de combat, que tão bem me faria! Ainda assim, como em tudo no desporto, o que começa por ser uma ida arrastada, porque não há mais nada na hora que me dá jeito, começa por se tornar em algo bastante agradável. Não direi uma paixão, que levantar ferro nunca foi a minha onda, mas confesso que ir aumentando as cargas e sentir os músculos a trabalhar é uma sensação bastante boa. Julgo que só daqui a uns anos poderei voltar a frequentar o ginásio como já o fiz, se é que será de todo possível, mas para já, sempre é melhor que não ir de todo. E mesmo assim sinto um peso no coração por perder aquelas horas em que poderia estar com a princesa. Vou ser uma mãe galinha do pior, minha pobre filha!

Modo negação continua, pois claro, mas menos intenso. Rezignação perante esse facto incontornável deu lugar a um estado de alma pavoroso e inquieto. Hoje que é o último dia em casa inteirinho com a princesa, já começo a sentir falta de tudo e o arrependimento é palavra de ordem. Todos os dias (ou quase vá, não exageremos), ela faz coisinhas novas (ou melhora as que começou a fazer). Hoje está a fazer sonzinhos diferentes, além da gritaria a que já nos acostumou. E eu vou perder imensas coisinhas novas, imensos momentos, vou perder tanta tanta coisa. O dia da princesa vai ser na creche, volta para nós já no seu final, as horas escassas vão fugir-nos num ápice. E é isto. Não faz sentido. Não estava preparada para esta realidade e nem pensei muito nela - as crianças vão para a creche, é normal. Tolice minha - temos que ser iguais à maioria?! Pois claro que não! Soubesse há uns meses o que sei hoje e tudo seria diferente. A princesa não iria para a creche com seis meses. Nem com sete. Ficaria em casa o máximo de tempo possível. Perdemos tanto. Perco eu. Perde ela. Não faz sentido. Há coisas que não fazem qualquer sentido nesta vida, e esta é uma delas.

Hoje foi dia de novidade. Como continua com os intestinos super presos e custa imenso vê-la a fazer forcinhas para fazer uma caca minorca (fica toda vermelhusca, pobrezinha), decidi avançar com as papas de aveia. Fiz com maçã, para adociçar levemente a papa e a princesa comeu muito bem. Não fez uma festa como com as papas de compra, docinhas que só elas, mas comeu muito bem :) A intervalar com iogurte e fruta, é desta que a barriguinha vai funcionar bem!

A creche da princesa vai ser bastante cara, não é a nossa primeira opção, mas foi aquela em que conseguimos vaga, com condições bastante aceitáveis. Cara ao ponto de não podermos partilhar as despesas, como temos tentado fazer até aqui. E isso põe-me em conflito comigo própria - onde está a minha independência, se não consigo dar o melhor à minha filha, se ganho um ordenado ridículo, ainda por cima com um emprego que não me deixa sentir feliz, realizada? Ando aqui neste drama interno, até que me lembrei. O meu pai esteve doente. Esteve, porque felizmente tudo foi ultrapassado. E nesse momento, o que importou? A saúde dele. Só. Mais nada. Daria todo o meu dinheiro para o manter vivo. Ora bem, porque ando aqui a chorar quatro mil euros em meio ano? Felizmente, podemos abdicar desse dinheiro sem nos faltar nada. Não é a situação ideal, mas temos saúde e a princesa será bem tratada. Relativizar é a palavra de ordem! (Isto sou eu a tentar convencer-me)

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 A rotina da mamã e da princesa, desde que a pequenina começou a aceitar ir à rua no carrinho (nos primeiros meses odiava, para desgraça da minha pessoa), começa sempre com um belo passeio matinal, que incluiu ida ao café. Janeiro presenteou-nos até agora com dias bastante solarengos, mas hoje está para lá de mau. Assim sendo, café em casa. Não é a mesma coisa. Por mais que desenvolvam as máquinas mais xpto, nunca será a mesma coisa. Mas é melhor do que nada. Como digo à princesa assim que ela abre os olhinhos e começa a reclamar a minha presença, bommmmmmmmmm diaaaaaaaa!

A vida laboral vai recomeçar em breve. Com a ida da princesa para a creche e com o meu regresso a sério ao trabalho, volta a frustração profissional, a frustração pessoal de não conseguir nada melhor, de ganhar hoje o que ganhava há dez anos atrás. O mundo evoluiu, eu parei. Alguma tontice minha, que recusei propostas que não deveria ter recusado. Mas assim que decidi mudar, a economia parece que tinha mudado. Uma licenciatura que basicamente não serve para nada e uma pessoa empatada para a vida num emprego sem qualquer futuro. Neste momento não vejo como dar a volta a isso. Oportunidades não caem do céu, por mais que as busque, há sempre pessoas mais novas para os lugares almejados. Oh well, já chega de depressão. 

É assim a vidinha, melhores dias virão. Se soubesse o que sei hoje, teria estendido a minha licença de maternidade até aos oito meses. Ganhava menos, é um facto, mas a creche vai levar tudo o que tenho e não tenho, só porque IPSS na zona onde moramos estão terrificamente cheias e as privadas são o que são. Valores do demo.

Questão profissional, ainda sonho fazer um executive master em gestão. Gosto de tantas áreas, era capaz de fazer uma série deles, gestão de projectos e programas, liderança, marketing. Pena serem caros para chuchu. Agora falta-me tempo, porque a baby ML é a prioridade, lá chegaremos, porque o tempo não pára e a idade começa a ser demasiada para mudar de vida. Nunca é tarde é um belo cliché, mas não sei se não passará disso mesmo.

Dizem que tens personalidade - parece que actualmente ser rezinguinha, reagir com desconfiança perante estranhos e ser super observadora é ter personalidade :) A mim parece-me algo comum a todos os bebés, uns em maior grau, outros menor.

Com muita ou pouca personalidade, és a maior. Óbvio que porque és minha, em primeiro lugar. Em segundo (ou por qualquer outra ordem, que é aleatória), essas bochechas!! Ninguém resiste. Terceiro, és uma espertinha. Percebeste que a mamã tem coração de manteiga e não te deixa a chorar quando vais fazer a sesta. Pois bem, o que fazes tu? Para começar mandas fora a chucha e começas a chorar. Mal entro no quarto, o maior sorriso do mundo. Chucha posta, beijinho dado, lá saio eu e que fazes tu? Lá vai a chucha fora outra vez. Por vezes ficas depois de umas quantas vezes, outras requeres a minha presença e lá me deito eu junto a ti. Por vezes adormeces. Outras, que fazes tu? Olhas para mim e começas a sorrir com o olhar (com a boca também, mas a chucha disfarça). Aí, eu fecho os olhos e finjo que durmo, mas tu não desarmas logo, voltas-te imensas vezes para mim para ver se os olhinhos estão abertos, até que te cansas e adormeces. Em quarto, o teu sorriso. O sorriso de boca cheia, não é aquele meio sorrisinho que vais fazendo. É maravilhoso. E as gargalhadas? Felizmente agora são diárias e são o máximo! Já não temos que transpirar para as sacar, bastam uns beijinhos e apertos na barriguinha, a coisa faz-se.

Ninguém é perfeito e por isso poderias melhorar umas coisitas. A rezinguice a quase todas as horas era escusada bebé, e entreteres-te mais de dois ou três minutos com qualquer actividade também era bastante bom.

És a melhor, a maior. Para os papás serás sempre a princesa mais fofa do universo (o rótulo de mais simpática pode ser que daqui a uns anos se possa aplicar :p).

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