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Life in Pink

Life in Pink

Tivemos alta. Estamos em casa. Com algum receio, confesso. As contracções continuam, mas mais espaçadas. Receio de que voltem em força e tenhamos que correr novamente para a urgência. Esforços reduzidos ao mínimo em casa, mas efetivamente no hospital as condições são bem melhores. Desde a cama do quarto, ao facto de só nos levantarmos para ir ao wc e comer, com controlo de movimento fetal e contracções algumas vezes por dia. A tarde de hoje não está a ser extraordinária relativamente ao registo de contracções, a ver vamos se melhora um pouquinho. Amanhã consulta, o que me deixa mais descansada, pois se não melhorar muito, o médico dirá o melhor a fazer. Por vezes penso que vim passar uma noite a casa. Gostava muito que a baby se aguentasse até às 37 semanas, o objectivo dos médicos desde que dei entrada no internamento e fiz os tratamentos necessários.

Quanto ao hospital, eu, pessoa mega picuinhas com as condições de qualquer local, confesso-me bastante surpreendida - o edifício é velho, certo, mas está tudo muito limpinho, a higiene é efetuada todos os dias e os profissionais, bem, esses são como em qualquer outro lado, há os bons e os menos bons.

Depois de uma noite junto à sala de partos existe um misto entre desejo de parto natural e cesariana. Aquelas senhoras que ouvia a noite toda, primeiro a gemer, depois a gritar, pareceram sofrer horrores!

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20 de junho assinala o início do verão. Adoro os dias de verão, quentes a pedir praia, os finais de dia maravilhosos para petiscos ao ar livre. Os fins-de-semana tornam-se oportunidades unicas para aproveitar família, amigos e bom tempo,pedem patuscadas, piscina,mar. Gosto do verão. O primeiro dia de verão de 2016 teve um gostinho especial. Não apanhei sol. Não apanhei calor. Não houve patuscadas nem final de dia ao ar livre. Houve sim papinha sem graça de hospital,cama, alguma companhia e os amigos ctg. E, parece que a probabilidade de ainda conseguirmos ser duas rm uma durante mais umas jornadas. Cada dia é uma vitoria. Depois do ultimo sábado e suas consequências, a cama deixou de ser opção, tornou-se a melhor amiga. O verão esperará por nós, até porque só o estamos apensar aproveitar mais para o fim, e mais para os finais de dia. Mas ainda o iremos saborear. Os três. Mais unidos do que nunca. Verões haverão muitos. Este terá sempre um gostinho especial.

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O final da semana 34 foi assustador. Ignorando conselhos de medico e corpo,decidimos ir lanchar a casa de amigos (7m de carro) e jantar em casa de familia (15m de carro). Resultado? Contracções de 10 em 10 minutos,algumas com duração de dois ou tres minutos. Jantar péssimo,em que fiquei no sofá,deitada,e acabei por estragar a noite a todos. Voltar para casa com coração nas mãos,com vontade de me vergastar pela idiotice. Esperança na noite,que acalmasse as contracções. Manha de domingo passada na cama,a controlar espaçamento de contracções. Por volta do meio dia decidimos ir à urgência. Apanhei o susto da minha vida (pior só a notícia,no último ano,de que papá estava doente). Ficamos internadas para levar soro e vigiar, e eis senão que, perto da meia noite, apos três ou quatro ctgs e três tocs, a enfermeira me diz - tire tudo,ligue ao seu marido e diga que vai para a sala de partos. Eu que me estava a fazer de forte, nesse momento desabei. Por uma estupidez minha, não conseguir sossegar, a pimpolha ia nascer bem mais cedo? A mistura de sentimentos que senti foi qualquer coisa, entre vontade de bater a mim própria por não descansar, medo por a baby estar a sofrer, pânico perante possibilidade de cesariana de urgência.. felizmente fiquei só em observação,mas passei uma noite aterradora na sala de partos. O melhor de tudo? Alem da baby continuar aqui dentro de mim, bem melhor do que ontem, o apoio desmesurado, o amor infindável que senti pelo meu pilar, o namoradinho mais fofo de sempre!

As semanas passam, os dias tornam-se todos iguais. A felicidade de estarmos a criar um bebe, o amor pelo namorado continuam a aumentar, de dia para dia. O sentimento de inutilidade também. Não tratamos da casa, livros e séries vão permitindo alguma ocupação do tempo, mas falta qualquer coisa. Com tanto repouso, o peso começa a descambar, aos pouquinhos, mas o suficiente para nos sentirmos desconfortáveis, para perdermos a vontade de nos pormos bonitas. Um misto de sentimentos coexiste dentro de nós. Felicidade que não abandonamos nunca, tristeza por não saber o que fazer com o tempo, por não sentir que o aproveitamos. Por sentir que cada dia vai passando e não adicionamos nada de novo à nossa pessoa, ao nosso conhecimento. Esta semana foi pródiga nesta mistura de sentimentos. As anteriores foram francamente melhores. Próxima semana tem início a época de verão, a ver vamos s o sentimos também na nossa disposição, nos nossos corações.

Como todos os pais de "1ª viagem", também nós temos uma série de expectativas de como seremos. Ao lado das expectativas coexiste a noção de que talvez as coisas não sejam como nós desejamos.

Em relação à educação da baby, vejamos as nossas expectativas:

1. não vamos tolerar birras, não irão haver cenas de berreiro no meio da rua (claro que a criança depois terá a personalidade dela, e logo se vê se não será daquelas que até esperneiam tal as fitas que fazem);

2. vai ser muito educadinha, sempre bom dia, boa tarde, beijinho a todos (lá está, se não estiver para aí virada, que podemos nós fazer?)

3. não vai ter uma imensidão de brinquedos, completamente desnecessários (esta parte acredito que cumpriremos, até agora tem um peluche.. mas os avós.. bem, a ver vamos o que o futuro nos reserva)

4. não vamos dar telemóveis nem tablets para a entreter, nem em casa nem na rua! (mais uma vez.. o futuro o dirá :p mas já imagino cenas de jantares ou almoços de família em restaurantes e a miúda mega irrequieta..)

5. nenucos, carrinhos de nenucos, sair de casa com tudo isso atrás (pois bem, neste aspecto o futuro papá está mais resignado do que eu - vê a situação como fatal, vai acontecer, de cada vez que queiramos ir à rua iremos com todo um arsenal de brinquedos; neste ponto a futura mamã é um pouco mais irredutível e ainda acredita que conseguirá sair só com um bonequinho)

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Filme de Bob Nelson, com Clive Owen e Jaeden Lieberher como protagonistas.

Relata a história de um jovem que vai passar o fim-de-semana com o pai, alcoólico, enquanto a mãe e o padrasto fazem um retiro no âmbito da igreja que frequentam. Durante o fim-de-semana, e no meio de diversas peripécias, o jovem liga-se bastante ao pai, contribuindo para o ajudar a recuperar do alcoolismo e da situação precária em que vive. Um jovem bondoso que consegue transmitir a sua bondade a quem o rodeia.

Um filme fraco, 5/10 na minha opinião.

 

A semana 34 começou esplêndidamente. Senti-me óptima em todo o fim-de-semana (mentira - decidida a ir passear no dia de Portugal, saímos de casa rumo ao Guincho, a viagem foi toda uma tortura, mas a companhia e a vista souberam maravilhosamente bem!), com poucas contracções e sentia o corpo mais forte nesse aspecto. Cheguei a pensar que assim até às 38 semanas devemos chegar! Mas depois houve o dia de ontem. Não sei o que se passou. Acordei óptima, cheia de energia, tivemos visitas da parte da tarde, mexi-me um pouco mais do que o normal, e eis senão que começo a ter contrações descontroladas. Com alguma dor, confesso, mas o pior era a frequência delas. Pânico. Hoje continuo com algumas, não tantas como ontem à noite, mas nem de perto tão poucas como nos últimos dias.

O resto do dia vai ser passado a marinar no sofá :) Baby ML, só mais um esforcinho princesinha.

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 Muitos petit gateaux se têm feito. O registo é que fica sempre esquecido.. Para a posteridade fica um rolo da carne de pato, envolto em massa folhada, lindinho que só ele, e os pratos pedidos no almoço do passado fim-de-semana. Peixinho grelhado para as meninas, bifinho para o nosso príncipe.

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 O problema dos fins-de-semana grandes prende-se com o facto de nos habituarmos à companhia :) De volta à rotina mais solitária, resta-me registar um dos dias do fim-de-semana, em que o namoradinho me satisfez a vontade e levou a almoçar fora. Carnide foi a escolha, por ser relativamente perto de casa, sendo necessário andar pouco de carro (um dos meus maiores inimigos na actualidade), e com restaurantes bastante simpáticos. Óptimo dia, relaxado como se quer, na melhor companhia do mundo.

Os restantes dias foram um pouco mais agitados, com visitinhas em casa, dias bons :)

Sinto uma enorme vontade de sair de Lisboa. Não me interpretem mal, adoro esta cidade e tenho tentado aproveitar o meu "estado de graça" aqui por casa, neste cantinho recatado desta bela cidade. Não obstante, confesso-me muito saturava de Lisboa. Da cidade. Do trânsito. Do barulho. Preciso de ar. Preciso de respirar fundo, repor energias positivas e voltar outra vez. Por vezes sinto esta necessidade de fugir, mas talvez o problema não esteja na cidade. Preciso de olhar para dentro, perceber o que me incomoda é tentar ultrapassar a situação. A fuga parece perfeita, um caminho simples de seguir para um novo recomeço. Mas o recomeço também é possível a partir daqui. Só depende de mim.

(mais uma vez, podemos culpar as hormonas?)