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Life in Pink

Life in Pink

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Um murro no estômago. Enorme e profundo. É como melhor posso descrever este filme. Realizado por Kenneth Lonergan, tem no principal papel Casey Affleck, com um desempenho extraordinário.

O filme retrata a vida de Lee Chandler (Casey Aflleck). Nos primeiros minutos percebemos que algo de grave se deve ter passado na sua vida, pois a sua postura perante a vida é de total desconsolo, desinteresse e desprezo pelo outro. Potencia situações de confronto, quando poderia perfeitamente passar ao lado delas. Hostiliza quem o rodeia, sem necessidade. Um dia recebe um telefonema, o seu irmão, que sofria de um grave problema cardíaco, morre e deixa a guarda do seu filho de 16 anos a Lee. Lee não sabe o que fazer com esta decisão do irmão, contestando-a desde o início. Com o desenrolar do filme, percebemos a tragédia que assolou a vida de Lee, a culpa que carrega consigo e que define todo o seu comportamento. O vazio que sente. A dor profunda que o esvazia e que é inexplicável, inultrapassável. O espectador mais ingénuo (eu) quer acreditar que a guarda do seu sobrinho vai reacender o coração de Lee, vai devolver-lhe um pouco de vida, dentro das limitações claras que existem. Acaba por o fazer, mas de um modo tão ténue, que não nos deixa alegrar-nos, sentir que a personagem consegue seguir com a sua vida. Um filme profundo. Profundamente triste e angustiante, mas que deve ser visto. 8/10, na minha mais modesta opinião.